Propósito de vida é trabalho?
Por que quando falamos em propósito, as pessoas acham que estamos falando do lado profissional? Desde quando o propósito de vida está intrínseco a nossa profissão? Será que a nossa única missão nessa vida é somente trabalhar, pagar contas e morrer? E para o que vivemos? Para que viemos para este lugar? E como fazemos para descobrir o que vai trazer conforto e paz para a nossa alma se o fizermos?
Sei que existem diversos vídeos, textos, e uma infinidade de conteúdos e profissionais na internet dispostos a nos ajudar a encontrar o nosso caminho, mas às vezes eles parecem tão inalcançáveis, com suas consultas exorbitantemente caras. Talvez encontrar o caminho seja algo somente para ricos, os pobres que abaixem as suas cabeças e continuem trabalhando, e calados, para não atrapalhar o momento de espiritualização e descoberta dos endinheirados.
Tenho me sentindo meio blá em relação a isso ultimamente. Talvez porque a internet sempre mostre pessoas tão bem resolvidas e vivendo tão plenamente que quando olhamos pra nossa vida, vemos que não realizamos nem metade do que pretendíamos, e eu falo isso para os maiores de 30 anos que estão na mesma situação que eu.
Resolvi então desabafar com duas amigas. Uma veio com um papo extremamente positivo, daqueles que às vezes dá ranço, e totalmente sem sentido em relação ao que eu estava falando. Ela me lembrou de tudo o que já realizei em busca da minha profissão e da minha prosperidade financeira e foi absurdamente positiva dizendo que uma hora irei colher os frutos do meu esforço. Falei pra ela deixar pra lá, porque ela não estava entendendo o que eu queria dizer. Então, fui conversar com outra amiga, e falando sobre isso, uma lágrima se formou no meu olho durão e eu quase chorei. Ela não foi extremamente otimista, posso dizer, que ela nem foi otimista, nem veio com conselhos otimistas, nem com nenhum conselho na verdade. Acho que essa minha amiga deveria estar estudando psicologia, mas ela se engajou nas letras. Voltando, ela não veio com nenhum conselho, veio com uma avaliação psicológica, dizendo que ela ficou surpresa quando eu disse que faria Ciências Contábeis depois de ter feito uma especialização em Gestão Hoteleira, visto que sou formada em Turismo, e Hotelaria sempre foi minha grande paixão, sempre gostei desse mundo, entretanto, dentro da especialização descobri que gosto da gestão, da movimentação financeira, dos números, etc e vi o quanto estava despreparada para trabalhar com o que queria e, por isso, escolhi Ciências Contábeis. Ela ficou surpresa e disse que isso que pode ter me afastado do meu propósito. As duas falaram sobre realização profissional como se isso fosse só o que viemos fazer aqui. E devo dizer que, posso não estar trabalhando ainda mas, estou bem realizada profissionalmente.
Mas e no âmbito pessoal, como alcançamos a nossa satisfação e realização? Como sabemos se estamos vivendo o que viemos pra viver? Como saber se estamos realizando aquilo que viemos realizar? Eu não sei dizer. Porque a cada ano que passa, eu sinto que estou fazendo nada em relação a meu propósito. Em relação a minha missão de vida.
Já busquei em templos religiosos de religiões diversas. Já busquei dentro de mim. Mas essa resposta parece que não existe e o vazio em mim, a insatisfação com a minha vida e com o rumo que ela tem tomado só aumentam.
Nada do que eu imaginava para a minha vida se concretizou. Nenhuma viagem. Nenhum emprego dos sonhos. Nem o casamento (sim, eu sonhava em estar casada a essa altura). O filho veio antes da hora. A vida mudou tanto com ele que eu tive que voltar a estaca zero: a casa da minha mãe. Sem independência financeira, não há muito o que eu possa fazer. E parece que as pessoas não querem contratar uma mãe. Será que essas pessoas não sabem que uma mãe tem uma boca para alimentar além da dela? Contratar uma mãe parece algo impensável para a nossa sociedade. E isso para qualquer emprego, até mesmo para o emprego dos sonhos.
Eu não fiz nada do que eu gostaria de fazer. Não morei fora. Não estudei fora. Não trabalhei fora. E quando eu digo fora, digo no exterior. Já tive algumas experiências, fora de casa, fora da minha cidade, fora do meu estado.
E o que penso é: essas coisas estão atreladas à nossa missão? Ao nosso propósito? E por essas coisas digo, fazer o que gostaríamos de fazer, estar onde gostaríamos de estar. Eu imaginei uma vida completamente diferente pra mim da vida que tenho. Não que minha vida não seja boa, mas ela não me satisfaz. Fala-se muito em gratidão nos dias de hoje, que devemos ser gratos a tudo o que temos. E eu sou. Mas eu gostaria de ser grata pelas minhas conquistas também. Ser grata por poder realizar o meu propósito. Realizar o que vim fazer aqui nessa terra. Eu só preciso descobrir o que é. E não, não estou falando profissionalmente.

Você é tão nova ainda poderá realizar tantos sonhos, tantos planos
ResponderExcluirQuais são esses sonhos? Quais são esses planos?
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