É paixão mesmo.... ou é apego ao passado?



Eu não me apaixonei por aquele homem. Eu gostei do que eu vivi com ele. Apenas isso. Eu vi nele, e com ele, uma oportunidade de viver algo diferente de tudo o que eu já tinha vivido antes na minha vida. Ele era diferente, em muitos aspectos, de vários homens com os quais eu me relacionara. E foram muitos. Ou eu só não queria ver o óbvio mesmo, ele não era igual, como era PIOR.

Eu pensava que ali, naquele coração que, até então, eu julgava gentil, eu encontraria tudo o que sempre achei que estivesse buscando. Atenção, afeto, carinho, respeito, cuidado. Mas eu não me apaixonei por ele. Nós éramos incompatíveis em tantos aspectos que não tinha a menor possibilidade de um dia ser possível um relacionamento entre nós.

E, mesmo assim, eu repeti padrões de comportamentos antigos. Eu criei expectativas com base em coisas que só existiam na minha cabeça mesmo, coisas que nem mesmo foram ditas e feitas por ele, porque eu queria que aquele cara olhasse para mim e quisesse ficar comigo. Eu queria ser escolhida. Eu ainda não havia percebido, mas já tinha sido avisada: carência.

Bom, isso não aconteceu. Ele não me viu. Ele não me escolheu. E eu me desapontei. Não com ele, mas comigo mesma, porque eu me achei indigna dele. No entanto, ao invés de superar e seguir em frente, eu repeti mais um padrão antigo, descontei minha frustração nele. Porque é isso que eu faço. Não que eu tenha direito de ferir alguém, por mais que essa pessoa tenha me ferido propositalmente (ou não). Mas eu tenho a "necessidade" de ferir quem me fere. Talvez isso seja o que de mais vingativo eu tenha de escorpião, puxando um pouquinho para a astrologia, já que dizem que escorpianos são vingativos. E nunca é planejado. É sempre na impulsividade.

E desde então eu estou pensando em como nós voltamos a repetir padrões que achávamos já ter "superado": ah não, isso daí eu já resolvi, eu não faço mais isso. Já estou calejada. Já reconheço os sinais de longe.
E, de repente, está você lá vivendo as mesmas situações, repetindo as mesmas atitudes e se perguntando o que é que você fez para merecer isso. No entanto, perceber-se repetindo os padrões deve ser um bom sinal, não é mesmo? Mesmo que tenha agido impulsivamente na hora, logo eu percebi que isso é algo que eu costumo fazer quando as coisas não saem do jeito que eu quero, quando as pessoas não correspondem às minhas demandas em relação a elas.

Mas se as demandas são minhas e NINGUÉM tem obrigação de nada, então porque é que eu acho (lá no fundo do meu subconsciente) que tenho o direito de cobrar algo de alguém e ainda ficar com raiva se a pessoa não corresponder? É. Pois é. Eu podia jurar que já tinha superado isso. Esse comportamento. Afinal de contas, eu passo tanto tempo estudando sobre psicologia, comportamento humano e relações, né? NÃO! Vou dizer de forma bem clichê, porque não tem outra forma de dizer isso, a gente estuda para a vida vir depois e testar os nossos conhecimentos, pra saber se a gente tá preparado mesmo pra próxima lição.

Estou chateada. Estou triste. Porém, não vou ficar me culpando, nem me lastimando por muito tempo. Primeiro porque a culpa não traz nada de bom, e a lástima só nos leva a olhar para a escuridão. E eu já estive lá por tempo demais. Segundo porque eu já estudei muito sobre psicologia e comportamento humano, para saber que existe um (ou vários) traumas de infância por traz de tudo isso. E me culpabilizar, além de não me trazer nenhum benefício, não será eficaz para uma melhora do quadro.

Eu sempre fui muito boa em observar as relações de fora e em aconselhar as pessoas. Sempre estive atenta aos outros. É que olhar pra fora é sempre mais fácil. Eu não tinha o costume de olhar pra dentro, de olhar pra mim, de olhar para os meus comportamentos, para as minhas atitudes e para os meus relacionamentos. Precisei fazer terapia para começar todo esse processo interno.

Eu até escrevi, em alguns textos atrás, que essa era uma das coisas que só a vida, um(a) psicanalista ou um(a) psicólogo(a) explicam. Eu fico feliz de ter feito a descoberta, meio tardia, de que eu não estou apaixonada. E o melhor ainda, sem ajuda. Ou seja, estou aprendendo a caminhar sozinha. Não que eu esteja pronta. Afinal de contas, eu preferia ter descoberto isso com a ajuda da minha psicóloga, porque agora eu tenho que lidar com toda essa nova informação sozinha também e me livrar de todos os presentes que eu ganhei na infância.

Esse, talvez, seja o primeiro texto em que eu não use floreios da minha imaginação para me expressar acerca do meu processo terapêutico e de descobertas pessoais para que nada fique tão óbvio, já que se faz necessário que seja óbvio, devido a importância do tema.

E é assim que eu inicio mais uma semana. Dessa vez com o coração, a mente e o espírito mais leves por ter, finalmente, encontrado as respostas que eu buscava. Elas me trouxeram paz e conforto, porque é muito bom olhar para as minhas sombras e dar luz a elas.


P.s.: A dúvida sobre o porque de eu não estar fazendo terapia deve ter surgido por aí, não é mesmo? E, bom, não tenho problemas em falar disso, mas foram apenas burocracias do convênio. Tenho que esperar virar o ano do contrato para solicitar novas sessões.

P.s. 2: Esse texto foi editado em 14 de dezembro de 2022, algumas partes do original estavam em conflito com a realidade, dessa forma, achei melhor atualizar.

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