No dia em que a dor queimou... E eu chorei até dormir!

   


   Na madrugada em que a dor queimou e eu chorei até dormir, de cansaço, para tentar extinguir aquele fogo que ardia em mim, em meu peito, que fazia o meu coração doer fisicamente, foi pela frieza e indiferença de suas atitudes e suas palavras. 

   Naquela noite eu te procurei, desesperadamente, com o pretexto de conversarmos, mas eu não tinha nada para lhe dizer além de que você estava me fazendo muita falta e de que eu gostaria de dormir ao seu lado, apenas mais uma vez, só para me lembrar de como era, já que eu estava me esquecendo e, até então, eu não queria me esquecer.

   Eu não queria me esquecer porque achei que tivesse sido importante. E, naquele momento, foi. Me segurei em cada lembrança do que foi nosso até onde pude, mas os fios da minha memória são frágeis e se rompem com facilidade, principalmente quando a minha mente quer me proteger de algum trauma, de alguma dor, de algo que esteja me afligindo. Entenda, isso é apenas um sistema de defesa de alguém que já foi muito machucada mas precisou aprender a se defender para continuar vivendo. 

   E para evitar esquecer o que vivemos, o que tivemos, que foi tão fugaz, no entanto tão significativo (pelo menos para mim), eu tenho escrito e contado sobre nós. E mais do que isso, eu tenho falado sobre mim, porque talvez, assim, um dia, as minhas palavras cheguem até você... E como eu gostaria que elas chegassem. 

   Mas o que você faria com as minhas palavras se elas chegassem até você? 

   Você realmente abriria o seu coração para compreender o significado delas, ou se fecharia novamente e só veria o que quer ver?

   E mesmo que elas não tivessem para você o mesmo significado que tem para mim, você me acolheria em um abraço e me acalentaria ou, simplesmente, me ignoraria e afastaria com a mesma frieza que fez tantas vezes em que não deixou com que elas chegassem até você?

   Naquele dia eu dormi e chorei, chorei e dormi até anoitecer, deixando cada lágrima minha cair sobre o fogo da dor que queimava e ardia. E depois daquele dia eu decidi que era necessário arrancar de mim o que ainda restava de você, de nós dois. 

  Desde aquele dia eu te arranco de mim todos os dias, mas como uma peça do destino, você volta inteiro. Seja num reencontro inesperado, seja numa letra de música, seja pela boca de um amigo em comum, seja numa cantada esdruxula que eu vi na internet, daquelas que eu te mandaria sem o menor pudor e ainda cobraria uma risada sua.

   Eu ainda não consegui entender como foi que você se entranhou de tal maneira em mim. Mas, talvez, as coisas não sejam sobre o tempo que elas duram e, sim, como elas são lembradas. E, apesar de toda dor e sofrimento pelo qual passei, eu me lembrarei com carinho das noites que passamos juntos.

   Eu apaguei o meu incêndio interno e consegui arrancar cada pedacinho seu de mim e agora, a minha única tarefa é seguir com a minha vida te deixando para trás. Você e o seus pedaços. Limpar o meu lar que está em cinzas e me reconstruir para que eu me possa me habitar novamente.



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