E se eu... descansar?
Esse é, provavelmente, um dos textos mais difíceis que já escrevi em minha vida. Ele foi escrito em um momento de desespero e desamparo, em uma tristeza profunda da qual eu não sabia como sair. E eu não sabia identificar se era apenas tristeza ou se era mais uma crise depressiva, daquelas que me acompanharam ao longo dos dois anos que se passaram.
Ele é de novembro de 2021 e eu o escrevi pouco depois do meu aniversário e de uma das vezes em que desisti do meu Instagram. Eu, simplesmente, não sabia o que faria da minha vida, até porque nada do que eu planejara tinha dado certo e, mais uma vez, eu fiquei frustrada, triste, decepcionada. Por um instante tudo parecia bem, fluindo, e no outro, não mais que de repente, meu mundo caíra. A vida se tornara um fardo pesado que eu estava cansada de carregar.
Esse texto foi um desabafo, uma oração, um grito de socorro, um conforto. Foi uma conversa entre mim, minhas angústias, minhas dúvidas e Deus. Eu o levei para a terapia. E o li para a minha terapeuta. E ao fazer isso, ao o ler em voz alta, eu obtive muitas respostas. E hoje eu decidi postá-lo porque sinto que o mesmo sentimento tem feito morada em mim e, talvez, relembrar as minhas próprias palavras seja o suficiente para acalentar o meu coração.
Eu espero que você, caro leitor, se emocione, da mesma maneira que eu me emociono toda vez que eu o leio:
E se eu descansar e finalmente deixar tudo isso para trás?
E se eu descansar... Será que eu realmente irei descansar?Eu estou cansada. Eu estou exausta. Isso é um fato.
Afinal de contas, para o que eu sirvo?
Se eu não sirvo nem para ser filha, o papel mais longo que desenvolvo na vida, há 35 anos, e não sirvo para ser mãe... Para quê sirvo?
Eu não sirvo para ser amada, admirada, desejada, querida... Escolhida.
Eu só dou despesa e não gero receita, eu não trabalho e só dou trabalho.
A minha vida foi praticamente em vão. 35 anos e o que eu fiz de marcante?
Para que ser tão inteligente e tão talentosa se eu nunca fiz uso de todos esses “dons” para o meu próprio bem e para o bem dos outros?
Para que ser tão boa em tantas coisas se eu não sou boa em usá-las da melhor forma e fico desperdiçando tudo o que tenho/sou.
E eu tendo o conhecimento que tenho sobre o desencarne provocado pelo suicídio, não tenho coragem de tirar minha própria vida, mesmo que de forma “desproposital” eu já tenha tentado isso tantas vezes ao dirigir alcoolizada. Afinal de contas, o suicídio, é um ato de coragem ou uma covardia?
É preciso coragem para tirar a própria vida ou é preciso ser extremamente covarde?
Defendo os dois pontos de vista das seguintes formas.
Primeiro é preciso ter coragem porque não deve ser fácil tomar uma atitude que vá tirar a sua própria vida, algo que vá te causar dor, para que diminua a sua dor.
Segundo que é uma covardia porque todos os dias pessoas que gostariam de ficar se vão e pessoas que gostariam de dar um último abraço em seus entes queridos os perdem, sem nem a oportunidade da despedida. Então, isso é covarde. Não pensar em quem fica. Em quem nos ama. E eu sei que sou amada pelos meus familiares e que eles vão sofrer a minha falta, principalmente o meu filho pequeno.
No entanto, eu desejo a morte. Eu almejo a minha partida do plano terreno. Já há alguns anos se eu for realmente sincera com quem lê esse texto e comigo mesma. Eu clamo por uma doença que me tire a vida, ao mesmo tempo em que vou à academia e melhoro a minha alimentação para cuidar da minha saúde. Ao mesmo tempo em que luto contra o vício do cigarro para, finalmente, conseguir parar de fumar.
Então eu fico cansada. E desejo entregar os pontos, desistir e falar “ó, já deu pra mim, pode me levar tranquilo”. Mas Ele não me leva. E só coloca um dia extremamente movimentado na minha frente para que eu não possa nem chorar deitada. Hoje mesmo, eu tive que chorar limpando a casa porque a água da fossa transbordou dos ralos e ficou tudo fedendo. Tive que chamar desentupidor e gastar uma pequena fortuna.
E no meu telefone mensagens de “o que você tem?”. E eu respondi “vontade de morrer”. Ou então “você está bem?” e eu respondia “ estou, sim. Tirando os pensamentos suicidas e vontade de morrer, eu tô ótima”.
Eu não encontro valor para minha vida. E sei que as pessoas, com suas palavras, só querem me ajudar, mas eu sei de onde vem as palavras e sei pra onde elas vão... Eu queria uma ajuda mais real do que as palavras. Por uma vez na vida eu queria colo, aconchego, abraço, carinho, afago, consolo, cafuné, dormir chorando no ombro... E as únicas palavras que eu queria ouvir era “está tudo bem. Eu ESTOU AQUI COM VOCÊ. Você NÃO ESTÁ SOZINHA”.
Porque eu sou bem resolvida com a solidão... Mas eu estou cansada de estar sozinha o tempo todo. Eu não quero mais grandes conselhos vindo de uma tela, eu quero frases curtas seguidas de um abraço quente.

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