Dia das mães.... uma data comemorativa?
O dia das mães é uma data realmente comemorativa ou é, finalmente, uma data que permite que nós, mulheres e mães, tenhamos alguma visibilidade nessa luta diária que é CRIAR um ser humano? O dia das mães deveria ser muito mais do que uma data para se declamar afetos, porque ser mãe é ATO POLÍTICO. Não criamos nossos filhos para ficarem debaixo de nossas saias, criamos nossos filhos para o mundo, os criamos para que possam tomar decisões. Decisões essas que poderão impactar toda uma família, um bairro, um município, um estado, uma nação, O MUNDO.
Enquanto ato político que é a maternidade eu poderia falar também sobre as políticas públicas que não são criadas pensadas nas mães. Nas milhares de mulheres mães desempregadas por não terem com quem ou onde deixar seus filhos. Na falta de creches, de escolas, de atividades pós aula para essas crianças enquanto suas mães trabalham, afinal de contas, nem todas as mães tem condições de pagar uma escolha particular em regime integral e dependem do Governo para isso.
Então, ser mãe, é ATO POLÍTICO. E não existe ato que exija mais coragem, força e desenvoltura do que esse. Por isso, deixo aqui um breve relato de como foi o meu domingo de dia das mães, do que essa data representa para mim e de alguns valores que eu tento (gostaria de deixar bem claro que TENTO, porque ele é um ser humano com vontade e ideias próprias) passar para o meu filho.
O meu domingo de dia das mãe foi exatamente igual a todos os outros. Meu filho dorme comigo no sábado porque a gente costuma assistir a alguma coisa a noite e, aí, acorda junto e agarradinho no domingo. Depois é cada um pro seu dispositivo, eu no meu celular, ele no tablet e a televisão ligada em algum programa infantil qualquer. Eu volto a dormir e ele fica jogando e assistindo TV, às vezes acordo, assisto um pouquinho, comento com ele e essa é a nossa programação dos finais de semana. Hoje não tinha porque ser diferente.
E é isso. Nada de romantizar uma data. Um único dia. Eu já falei isso para ele, que eu sou mãe dele todos os dias, que eu não preciso de um só dia para me sentir especial e amada por ele, que ele pode fazer isso sempre. Nem sempre ele faz, afinal ele é filho. E filho é assim mesmo. Eu já fui/sou filha. E essa relação mãe/filho é uma das mais complexas que existem, porque a gente não pode, simplesmente, descartar as pessoas e trocá-las quando já não está dando mais certo, porque é preciso insistir nessas pessoas e fazer o máximo para que essa relação dê certo. Ela não depende só do amor, da doação e de toda a romantização que a sociedade coloca sobre os nossos ombros e nos cobra se saímos da linha.
E nós, mães, vamos sair da linha. Porque somos mais que mães. E antes de sermos mães nós já éramos mulheres inteiras, com vidas inteiras. Nossos filhos são parte de nossas vidas. Uma parte muito importante, sim. Uma parte que vem antes de todas as outras depois que eles nascem, menos das minhas necessidades emocionais básicas. Eu preciso estar e me sentir bem pra ser uma pessoa melhor para estar com ele. Até porque, se eu não estiver bem, eu sei que isso vai refletir no meu comportamento, na minha fala, no meu agir com ele, na minha falta de paciência ele vai sentir muito mais. Ele vai sentir como se eu não o amasse e não me importasse com ele, porque "a mamãe só briga e grita", e eu não quero ser essa mamãe.
Crianças exigem muito de nós. De todo o nosso ser. Seja física ou emocionalmente. Nós ficamos cansadas. Esgotadas. E, não, um sorrisinho não é o combustível para que eu posso aguentar mais um dia. A minha rede de apoio é o combustível que me faz aguentar mais um dia. A minha rede de apoio que é composta basicamente por mulheres mães. Nós não somos perfeitas e falhamos, muitas vezes miseravelmente, em diversos aspectos umas com as outras, mas sabemos que nos temos. É necessário uma vila inteira para criar uma criança.
O meu filho vem antes até mesmo da minha saúde física, mas eu já percebi que não posso colocar ele à frente da minha saúde psicológica e emocional, porque para criá-lo bem eu dependo dela, minimamente, bem e estável. Então, sim, eu já deixei de fazer várias coisas com ele porque eu precisava ir à psiquiatra, à psicóloga, à casa da minha amiga, ou à balada mesmo, porque eu precisava sair de casa senão eu iria surtar e explodir a qualquer minuto.
Ser mãe dele, para mim, é mais do que um presente, é um sonho realizado. Eu sonhei com ele a minha vida inteira. E eu abdiquei de muita coisa, mesmo que inconscientemente, para que ele tivesse uma mãe dentro de casa, para que ele não sofresse a falta da mãe, como eu sofri a falta da minha que teve que trabalhar muito para nos prover hoje.
Fiz escolhas difíceis para mim, abdiquei de sonhos e planos, que eu só fui entender depois de algumas sessões de psicoterapia. E não me arrependo de nenhuma delas porque aprendi a ser grata a todo o esforço da minha mãe, se hoje posso escolher ficar com meu filho em casa e me dedicar a uma profissão totalmente incerta como a de escritora (mesmo estudando para outras coisas na minha área de formação, porque a gente precisa tentar garantir o pão de cada dia, né?), é por causa dela.
Tenho vontade de engravidar de novo e de ter outro filho para que ele não se sinta sozinho como eu, sendo filha única de minha mãe, me senti. Mesmo tendo todas as primas que tive crescendo como irmãs e mesmo tendo tantos irmãos e irmãs por parte de pai. É importante ter alguém com quem crescer junto, compartilhar a mãe, a vida, a história e poder contar quando for adulto.
É importante nos esforçarmos para criarmos melhores seres humanos para habitarem esse planeta, porque serão eles que o herdarão e eles precisam saber fazer escolhas melhores. Eles vão precisar de água limpa, de alimento, de ar respirável. E eles precisam de afeto, carinho, amor, colo e entender que demonstrar sentimento, que ser compassivo não é fraqueza. Que nossos filhos sejam mais benevolentes com outros seres (humanos ou animais) do que nós fomos. Que sejam caridosos com a natureza.
Eu poderia, nesse texto, ter falado sobre diversas outras batalhas que nós mães lutamos diariamente, sobre todas as nossas dificuldades, sobre toda a falta de apoio, sobre diversas e diversas coisas, no entanto, eu não quis me alongar muito para que o texto não perdesse o tom da afetuosidade que sempre procurar empregar em tudo o que escrevo aqui.
Sendo assim, finalizo dizendo que para que nossos filhos sejam melhores, nós devemos ser melhores para nossos filhos. E eu não estou falando de materialidade. Estou falando daquilo que só a presença pode proporcionar: AMOR.


Fiquei emocionada com esse texto amiga, você sabe o quanto a maternidade significa pra mim, e muita vezes eu tento tanto ser a melhor mãe e quando eu fracasso me sinto um lixo, só que ser mãe não é ser perfeita, ser mãe não é ser uma mulher maravilha todos os dias, ser mãe é errar e concertar, é fracassar e se levantar, é seguir sabendo que o mais importante de tudo é que ser mãe é ato de “Amor” e que todos os dias aprendemos um pouquinho com os erros e acertos que cometemos. Não nascemos decorando um manual de como agir, precisamos entender que errar como mãe vai acontecer e tá tudo bem.
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