Lacunas sentimentais e a pressa de me apaixonar novamente!
Por quase dois anos eu vivi uma lacuna sentimental, eu pensei que não me apaixonaria mais por ninguém. Nunca mais. NUNCA. Logo eu, que sempre tive uma vida sentimental agitada e me apaixonava fácil por qualquer um e por qualquer coisa que fizesse meus olhos brilharem. Bastasse despertar o mínimo interesse e pronto, lá estava eu apaixonada. Foi assim a vida inteira, com pessoas, artesanato, música, etc. Fui apaixonada por idiomas, tanto que fiz três e poderia ter feito mais, quem sabe um dia eu faça... Fui apaixonada por bordado, crochê, pintura, vinho, cerveja, cachaça (e confesso que por esses três eu sou apaixonada até hoje, mas não mais o suficiente para continuar aprendendo sobre eles, mas continuar consumindo). Já fui apaixonada por eventos, hotelaria, turismo, ciências contábeis.
Fui apaixonada. Sou uma apaixonada pela vida e por tudo o que me é belo e me encanta. No entanto, essa lacuna sentimental de me apaixonar por pessoas, me fez falta. Eu achei que meu coração nunca mais bateria por alguém. Nunca mais eu entraria em conflito comigo mesma sobre mandar ou não mensagem, sobre ligar ou não, sobre o que esperar daquela relação. Então, no dia primeiro de outubro eu senti uma faísca e pensei "eita, alguma coisa acordou aqui dentro". E foi bom sentir aquilo. Foi tão bom que eu quis mais.
Eu quis tanto, desejei tanto que não soube parar quando todos os sinais me diziam que aquilo não daria em lugar algum, mas eu queria sentir. Estava bom. E ninguém entendia que eu só queria sentir. Porque me sentir apaixonada era o mesmo que me sentir viva novamente.
Eu voltei a sentir vontade de viver e não era pelo outro, era por mim. Mas sentir o coração palpitando e o corpo esquentando toda vez que ele se aproximava de mim, era viciante e eu queria mais. Só que ele não queria. Então, eu acabei me afastando... Porém, eu já estava, praticamente, nos braços de outro alguém. E esse alguém parecia me compreender de uma forma que ninguém mais compreendia. Éramos amigos, acima de tudo.
Aquela amizade virou romance. Um meio bagunçado e conturbado por intervenções e invenções alheias, mas o sentimento existia. De ambas as partes. Talvez mais de mim do que dele. Entretanto, existia. Acabou que também não deu certo, tinha muita gente envolvida numa relação que deveria ser só de duas pessoas, mesmo que não fosse virar um relacionamento, afinal de contas, eu sou quase uma noiva em fuga, mas isso é assunto pra outro post.
Quando eu estava finalmente me recuperando, mas ainda ferida, conheci outra pessoa. E, esse sim, parecia perfeito. Me encantei por ele e por seu jeito sensível e "fofo". Só que... Espera um pouco. Depois da segunda decepção lá, eu tinha decidido que eu iria "vadiar" e não queria ficar sério com ninguém mais. O negócio era pegar e não me apegar.
Ok, então. Vamos ser amigos. Né? Final de semana seguinte, por uma inconveniência do destino, estávamos juntos de novo... E no próximo também. Pronto. Três finais de semana juntos. E fácil de me apaixonar como sou por tudo o que brilha, lá estava eu... Apaixonada. Encantada. Querendo mais que tudo ficar com aquele serzinho brilhante que correspondia a muitas das características que eu almejava em alguém.
E adivinha o desfecho da história? Ele não quis mais. No entanto, eu tentei. Eu tentei não porque eu queria namorar, casar, constituir família etc... Eu tentei porque eu gostei do que eu vi e eu queria que ele me mostrasse mais. Eu tenho pavor de relacionamentos então eu não namoro desde 2012 e eu fujo de potenciais namorados, mas eu queria ficar descompromissadamente com ele, um final de semana sim, outro não. Levando as coisas com calma, pra eu não entrar em pânico e sair correndo como se ele fosse um psicopata pronto para me matar só por cogitar a possibilidade de namorar. Ademais, os papéis se inverteram e quem saiu correndo de mim foi ele.
Ele correu muito. E toda vez que ele parava pra descansar eu o alcançava. Ele me sorria e eu achava que aquilo era um sinal quando, na verdade, era mera simpatia e gentileza. Ele estava cansado de correr. E eu estava cansada de tentar alcança-lo. Eu só queria dizer. Mas ele não queria nem escutar. Eu entendia. Eu entendo. Não precisa fugir mais. Eu sinto muito e eu te solto pra você ir em paz.
Eu conheci outra pessoa pela qual eu quase me encantei. Só que dessa vez eu fui mais responsável. Comigo e com ele. Por ainda gostar do terceiro e estar machucada, achei melhor não manter contato com alguém novo. A ferida ainda está aberta e doendo. Existe muito mais história, você sabe, não dá pra contar tudo aqui, mas eu tentei resumir, ao máximo para chegar ao ponto em que eu quero chegar.
As lacunas eram minhas. E eu que queria a todo custo preenche-las. Eu não estava apenas carente. Eu estava viciada. E eu precisava a todo custo daquela droga e do quão bem ela me fazia sentir na hora. Era bom, era gostoso. Adrenalina.
Quando eu me vi voltando a viver, eu quis viver tudo de uma vez. Fui com muita sede ao pote, como diz aquele velho ditado, mas o pote estava vazio. Então busquei outro pote, que estava igualmente vazio, e outro também. Quando, finalmente, encontrei um pote com água cristalina, eu já estava tão cansada que acabei desistindo antes mesmo de alcançá-lo, de conseguir segurá-lo.
E essa, eu sei hoje, ao concluir esse texto, que comecei a escrever há uns dois meses atrás, que foi a melhor escolha que eu fiz, a mais acertada. Porque eu tive a oportunidade de estar comigo de novo e, dessa vez, por escolha própria, mesmo havendo opções para não estar sozinha, eu escolhi a solidão. Eu me escolhi e continuo me escolhendo todos os esses dias.
E eu estou na minha melhor fase agora pós crises e pós trauma. Eu estou investindo tempo, energia e amor em mim, porque eu precisava dedicar a mim tudo que eu estava dedicando aos outros sem reciprocidade, importante falar isso. E eu estou feliz com a minha escolha. Eu estou satisfeita com o caminho que tenho seguido desde que me perdi para me reencontrar.

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